ECOS DE NINA RODRIGUES E A POLÍTICA DE MORTE NO BRASIL: A EXPRESSÃO ATUALIZADA DA DEFESA SOCIAL E O ENDOSSO MIDIÁTICO AO DISCURSO ESTATAL SOBRE A OPERAÇÃO CONTENÇÃO



ECOS DE NINA RODRIGUES E A POLÍTICA DE MORTE NO BRASIL: A EXPRESSÃO ATUALIZADA DA DEFESA SOCIAL E O ENDOSSO MIDIÁTICO AO DISCURSO ESTATAL SOBRE A OPERAÇÃO CONTENÇÃO
André Ricardo Antonovicz Munhoz

14/02/2026
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Este artigo teve por objetivo analisar a repercussão da Operação Contenção, realizada nos complexos da Penha e do Alemão, a partir do referencial criminológico de Raimundo Nina Rodrigues. Responsável por mais de uma centena de mortes, a operação foi amplamente denunciada como chacina por organizações de direitos humanos e moradores, enquanto autoridades estaduais a apresentaram como ação legítima contra o crime organizado, discurso também reproduzido pela mídia hegemônica. O estudo argumenta que a matriz teórica de Nina Rodrigues, fundada na degenerescência, na hierarquização racial da humanidade e na defesa social, continua a orientar políticas de segurança que classificam determinados grupos como “inimigos internos” e vidas descartáveis. Demonstra-se como categorias raciais e territoriais estruturam práticas estatais assentadas na necropolítica, além de como esforços narrativos são envidados objetivando a naturalização da letalidade policial perante a opinião pública. Ao interpretar o caso pela genealogia de saberes racistas do século XIX, evidencia-se a permanência de um controle social racializado por parte do Estado, cujo discurso legitimador é endossado pelos grandes grupos de comunicação, o que exige a superação política do respectivo paradigma.
Ler mais...Nina Rodrigues; Degenerescência; Defesa Social; Necropolítica
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