HISTORIOGRAFIA E PROCESSOS DE URBANIZAÇÃO NO RIO DE JANEIRO DA BELLE ÉPOQUE



HISTORIOGRAFIA E PROCESSOS DE URBANIZAÇÃO NO RIO DE JANEIRO DA BELLE ÉPOQUE
Letícia Coutinho de Souza
Joachin Melo Azevedo Neto

21/08/2026
70-93
4
O conceito de Belle Époque surgiu menos como designação neutra e mais como operador de memória. Entre as décadas de 1920 e 1930, consolida-se um “imaginário Belle Époque”: editoras publicam memórias e antologias de “tempos felizes”, jornais e revistas produzem dossiês nostálgicos, e o turismo urbano e a musealização transformam cafés, bulevares e ícones parisienses em paisagens de lembrança. Esse pacote cultural reencena seletivamente os anos anteriores a 1914 como uma idade de ouro de civilidade, consumo e espetáculo, mas, ao mesmo tempo, apaga tensões sociais, imperiais e políticas que também marcaram o período. Nesses termos, há uma significativa leva de produção historiográfica brasileira que contribuiu para reflexões sobre cultura e sociedade nas duas primeiras décadas do século XX na cidade do Rio de Janeiro, então capital e vitrine da Primeira República, a partir da recepção tropical desse modelo de civilidade e urbanidade europeu consolidado entre 1900 até 1914. Verifica-se que o eixo denominador comum entre autores com diferentes perspectivas teóricas e metodológicas em torno dessa temática de pesquisa é o fator cosmético e excludente da Belle Époque carioca.
Ler mais...Historiografia; História Urbana; Belle Époque; Rio de Janeiro
HISTORIOGRAFIA EM PERSPECTIVA: NARRATIVAS, TEMPORALIDADES E MEMÓRIA - VOL.2
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