O BRINCAR INTERGERACIONAL DAS INFÂNCIAS NEGRAS: ANCESTRALIDADE, MEMÓRIA E TRANSMISSÃO DE SABERES COMO PEDAGOGIAS DE RESISTÊNCIA



O BRINCAR INTERGERACIONAL DAS INFÂNCIAS NEGRAS: ANCESTRALIDADE, MEMÓRIA E TRANSMISSÃO DE SABERES COMO PEDAGOGIAS DE RESISTÊNCIA
Benedita Maria Azevedo Martins
Tyciana Vasconcelos Batalha
Karla Dayanne Braga Abreu Aguiar
Tatiara Rodrigues Costa
Joselma Santos Silva
Tarcila Elisa Rocha Miranda Ferreira
José Ribeiro da Silva Neto
Valéria Regina da Costa Vasquez Pereira
Maria de Ribamar Costa Benicio

07/10/2026
105-122
7
O presente capítulo analisa o brincar intergeracional das infâncias negras a partir das relações entre brincar, ancestralidade, memória, identidade, território e transmissão de saberes. Parte-se da compreensão de que o brincar não constitui apenas uma atividade recreativa, mas uma prática cultural na qual crianças produzem sentidos sobre si, sobre o grupo ao qual pertencem e sobre o mundo. O objetivo é compreender de que maneira experiências lúdicas compartilhadas entre diferentes gerações podem favorecer a circulação, a recriação e a continuidade de conhecimentos culturais, especialmente em contextos negros e quilombolas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, bibliográfica e documental, fundamentada em estudos sobre cultura lúdica, jogo, infância negra, identidade, educação, relações étnico-raciais e ancestralidade. O referencial reúne, entre outros, Brougère, Kishimoto, Freire, Hall, Munanga, Gomes e Araújo e Trancoso e Oliveira, além de documentos normativos brasileiros. A análise propõe compreender o brincar intergeracional como uma pedagogia da ancestralidade, entendida como processo cultural e educativo em que memórias, valores, saberes, gestos, narrativas, objetos, músicas e formas de pertencimento circulam entre gerações e são recriados pelas crianças. Defende-se que a ancestralidade não se transmite somente pela palavra ou pelo ensino formal, mas também pelo corpo, pela oralidade, pelo território, pela experiência e pelas relações comunitárias. Conclui-se que reconhecer o brincar como produção cultural pode fortalecer uma educação antirracista que valorize as infâncias negras como sujeitos de conhecimento, criação, memória e resistência.
Ler mais...brincar; infâncias negras; ancestralidade; relações intergeracionais; educação antirracista
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