AS CRIAÇÕES LÚDICAS DE UM GRUPO DE BRINCANTES DA UFSM

Code: 1110-1676
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Título

AS CRIAÇÕES LÚDICAS DE UM GRUPO DE BRINCANTES DA UFSM

ISBN

978-65-6155-103-8

DOI
  • DOI
  • 10.37885/978-65-6155-103-8
    Ano Publicação

    2026

    PáginasCapítulosVolumeEdição

    90

    5

    1

    1

    Organizador(a):
    • Waléria Fortes de Oliveira

      Oliveira, Waléria Fortes de

    Apresentação

    Certa vez, Manoel de Barros escreveu na obra Memórias Inventadas: “uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar”. Neste sentido, acreditamos que as produções escritas das/os brincantes do Grupo de Pesquisa Criançar resgatem algo que há tanto tempo está fatigado de informar e que passou a compor entre as coisas desimportantes. O brincar não é secundário na infância e nem mesmo na formação das/os educadoras/es das crianças, das/os criancólogas/os. Estar entre as crianças, envolver-se e aprender com elas, brincar, jogar juntas/os tem sido a missão deste grupo de brincantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ao longo de quinze anos. Por isso, as/os brincantes e pesquisadoras/es do Criançar, aprofundam, debatem e refletem aqui sobre as criações lúdicas que foram sendo construídas desde março de 2011, quando criamos o primeiro projeto de extensão universitária para a brinquedoteca do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM). Encontramos, desde o início, um grupo verdadeiramente de brincantes, criançólogas/os, que queria brincar, jogar e aprender com as crianças, afirmando que hospital, escola e universidade são sim lugar de brincar, jogar juntas/os, de aprender a serem educadoras/es que brincam, professoras/es que constroem uma educação alicerçada na ludicidade, na criatividade, na centralidade da criança, no protagonismo infantil. Porque estamos fatigados de informar... queremos mais é brincar, jogar – na essência da palavra e em seu sentido irrestrito! E de fato, nossa trajetória, apresentada nas produções deste livro, mostra o quanto temos brincado no hospital, na escola, na universidade, em diferentes ambientes, demonstrando nossa contribuição lúdica voltada para os achadouros das infâncias de Manoel de Barros. Temos nos constituído como um grupo de brincantes que vem difundido a ideia da/o educadora/or que brinca com crianças e possibilita o brincar entre elas, democratizando algo que lhes é por direito, e em comunhão com outros que têm nas “(...) raízes crianceiras a visão comungante e oblíqua das coisas” (Barros, 2018, p. 67), das coisas mais importantes do mundo das crianças. Neste livro trazemos as produções escritas de um grupo de brincantes que têm, segundo Manoel de Barros “carregado água na peneira” em todos os ambientes por onde encontram crianças ávidas de brincar e serem elas mesmas. Esse é o nosso legado, o legado do Criançar! Concluímos como iniciamos, resgatando uma poesia de Manoel de Barros, extraída da obra Exercícios de ser criança. Tenho um livro sobre águas e meninos. Gostei mais de um menino que carregava água na peneira. A mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos. A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água. O mesmo que criar peixes no bolso. O menino era ligado em despropósitos. Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos. A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio, do que do cheio. Falava que os vazios são maiores e até infinitos. Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito Porque gostava de carregar água na peneira. Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo que carregar água na peneira. No escrever o menino viu que era capaz de ser noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo. O menino aprendeu a usar as palavras. Viu que podia fazer peraltagens com as palavras. E começou a fazer peraltagens. Foi capaz de interromper o voo de um pássaro botando ponto no final da frase. Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela. O menino fazia prodígios. Até fez uma pedra dar flor! A mãe reparava o menino com ternura. A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta! Você vai carregar água na peneira a vida toda. Você vai encher os vazios com as suas peraltagens e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos! Aruna Noal Gaspareto e Waléria Fortes de Oliveira

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    5 Capítulos

    Capítulo 1
    Capítulo 2
    Capítulo 3
    Capítulo 4
    Capítulo 5